PAPAYA BRASIL

 

 

 

JUSTIFICATIVA



O Brasil se destaca no cenário internacional, como o quarto maior produtor e segundo exportador de mamão, produzindo 1,15 milhões de toneladas, 7,48% da oferta mundial, e exportando US$ 58,09 milhões e 43,99 mil toneladas, que corresponde a 16,6% e 11,0%, respectivamente, do total mundial comercializado em 2024 (FAO, 2026). O mamão é cultivado praticamente em todos os Estados brasileiros, mas são nas regiões Sudeste e Nordeste que se encontram os principais polos de produção dessa fruta. Os mais importantes estados produtores são Espírito Santo e Bahia, com, aproximadamente, 56% da área plantada e 62% da produção nacional, em 2024, seguidos de Rio Grande do Norte, Ceará e Minas Gerais (IBGE, 2026).

O mamão é a principal fruta de exportação do estado do Espírito Santo, que é o maior produtor e exportador brasileiro dessa fruta, com uma produção de aproximadamente, 415 mil toneladas em 6.749 ha, distribuídos em aproximadamente 300 propriedades, com produtividade média de 61,5 t/ha/ano, reconhecida como uma das mais elevadas do pais. Desse total produzido, foram exportadas 22,2 mil toneladas em 2025, o que corresponde a 43,1% da exportação brasileira, e gerando divisas na ordem de US$ 32,3 milhões (Agrostat, 2025). A principal região produtora encontra-se localizada, na Região Norte do Estado, com estrutura fundiária composta, principalmente, por pequenas propriedades com área média de 50 hectares. A região produtora apresenta um elevado nível de infraestrutura comercial, tecnologia de produção e um produto de alta qualidade.

O mercado consumidor vem exigindo frutas de alto padrão de qualidade, com requisitos de segurança alimentar, produzidas em sistemas de produção com baixo impacto ambiental e com justiça social. Essa tendência do mercado internacional de frutas aponta para um cenário onde, cada vez mais, será valorizado o aspecto qualitativo da fruta e a consolidação de sistemas de produção no Brasil, viável técnica e economicamente, o que significa no plano tecnológico equipararmo-nos aos países com agricultura mais desenvolvida no plano mercadológico, habilitando-nos para competir, tanto no mercado interno quanto no externo, e no plano estratégico podermos projetar, ainda mais, a consolidação do setor no cenário nacional e internacional.

A profissionalização do setor e o investimento em pesquisa, fiscalização fitossanitária, manejo da cultura, manejo da água e tecnologias pós-colheita são fatores que estão sendo desenvolvidos por meio de parcerias entre o setor público e privado. A geração de tecnologias e conhecimentos são prioritários para o fortalecimento do setor que diante dos desafios com o aumento da competitividade do mercado necessitam investir em profissionalização de toda cadeia produtiva o que caracteriza o setor como altamente dinâmico. Contudo, apesar de todo esse referencial positivo, a atividade exige investimentos contínuos em estudos e pesquisas em toda cadeia, sobretudo nos aspectos de manejo cultural, manejo da água, nutrição, fitossanidade e clima que influenciam na produção e diretamente na qualidade pós-colheita do fruto. Vários estudos estão sendo desenvolvidos em diversas Instituições de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento do país, nas diferentes áreas do conhecimento, com o objetivo de gerar e ou adaptar tecnologias para aumentar a produtividade, obter melhor qualidade e conservação dos frutos, reduzindo assim as perdas em pós-colheita, e sustentabilidade da cultura.

Neste contexto, o evento Papaya Brasil, Simpósio do Papaya Brasileiro, idealizado em 2003, é o mais importante evento de discussão de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovações tecnológicas, de intercâmbio e difusão do conhecimento para a cultura do mamoeiro no país. Este evento tem o propósito de ocorrer com a periodicidade de 2 em 2 anos e já foram realizados nove eventos, seis em Vitória e dois em Linhares, Espírito Santo, sob a coordenação do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), e um em Porto Seguro - BA, sob a coordenação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Neles, foram apresentados temas inovadores do agronegócio do mamão relacionados à comercialização, logística de transporte e distribuição da fruta, inovações tecnológicas, além dos avanços tecnológicos na cultura do mamoeiro em todo o país por meio da apresentação de trabalhos técnico-científicos originados das pesquisas desenvolvidas em diferentes instituições de CT&I nacionais nas diversas áreas do conhecimento. Estes nove eventos tiveram em média cerca de 230 participantes, tendo entre eles participações de vários estados brasileiros e de outros países, como Colômbia, Equador, Guatemala e México, e a apresentação de cerca de 85 trabalhos de pesquisas técnico-científicas por evento.

Neste contexto, sendo o Papaya Brasil – Simpósio do Papaya Brasileiro o maior fórum de discussão, desenvolvimento e inovação da cultura do mamão no país, a sua realização deverá contribuir fortemente para produção, exportação e cadeia produtiva do mamão no Brasil, e trazer positivamente significativos impactos sociais, econômicos e ambientais para a cultura no país.

OBJETIVOS DO PAPAYA BRASIL 2026

GERAL

• Promover a divulgação e transferência de inovações tecnológicas e o intercâmbio científico-tecnológico entre pesquisadores, empresários, estudantes de graduação e pós-graduação, produtores e demais integrantes da cadeia produtiva do mamão.

ESPECÍFICOS

• Promover a inovação tecnológica para manter no país um ambiente de referência nacional, visando a difusão de conhecimentos e tecnologias e estabelecer relações de intercâmbio técnico-científico;

• Conhecer experiências sobre os avanços tecnológicos e científicos, resultantes de pesquisas realizadas por instituições brasileiras e internacionais;

• Discutir as perspectivas de mercado nacional e mundial de mamão;

• Debater estratégias para melhoria da competitividade econômica da atividade;

• Estimular o intercâmbio de informações tecnológicas entre os diversos elos da cadeia agroindustrial do mamão;

• Proporcionar a atualização de técnicos que atuam no ensino, pesquisa e extensão rural com informações tecnológicas da cultura do mamoeiro;

• Levantar demandas de pesquisas sobre gargalos tecnológicos do setor produtivo da fruta; e

• Discutir e apresentar políticas públicas para o setor.